Recentemente, um post no LinkedIn me fez refletir sobre algumas coisas. Era uma imagem com 3 carrinhos de supermercado, e em cima, uma nota de 50 euros. O primeiro carrinho estava cheio, pois estávamos em 2004. O segundo, consideravelmente mais escasso, pois o ano era 2014. Em 2024, mal havia itens, a não ser um cacho de bananas. Aquilo me fez pensar. Mas aparentemente, não ficou claro, quando eu decidi compartilhar meus pensamentos.
Sendo assim, aqui vão alguns dados: a empresa que me contratou pela primeira vez, após minha experiência como monitor pelo Centro de Línguas da FFLCH/USP por dois anos, me pagava 17 reais a hora, em 2010. Com os dissídios, esse valor chegou a 28 reais, e eu trabalhava de manhã, tarde e noite. Nunca declarei imposto de renda, pois ficava perto dos 30 mil reais, mas não passava. Em 2012, tive um ano bom, mas acabei perdendo meus documentos, dentre outras coisas, entre mudanças de lar e roubos que sofri. Em 2018, me ofereceram um emprego onde pagavam 5 reais a hora. É de se pensar.
Uma pessoa evolui no trabalho. Não desaprendemos coisas; estamos em constante evolução. E podem falar que eu estou errado, seja pelos profissionais que ficam fora de atividade mas contam experiência em seus currículos, como por aqueles que sobem de cargo, mas mudam de atitude. Esse não é o ponto. Quero levantar dados sobre salário. O site Glassdoor faz duas estimativas: uma é para “teacher” na empresa EF (Education First, sueca). Segundo a pessoa que informa, o salário é de 60 mil ao ano. Na Cultura Inglesa, o salário pode chegar a 64 mil ao ano. Vejam, o primeiro item não é tão confiável, pois somente uma pessoa relatou, mas o outro é, com 42 contribuições. Sabem quanto eu ganho ao ano, né?
Minha família depende de dois benefícios do governo. A situação está mudando muito vagarosamente, e tivemos que lidar com muitas dificuldades. Esses benefícios totalizam dois salários mínimos, numa família de 3 pessoas. Agora, há coisas para acontecer e o cenário pode mudar, mas foi preciso uma série de processos.
Pense comigo: se em 2010 eu tive uma oferta de 17 reais a hora aula, é natural que o meu trabalho fosse recompensado na forma de dissídios, se trabalhasse pela mesma empresa. Quanto ganharia hoje? Supondo que eu recebesse 4 reais a mais por hora todo ano, não é um cálculo adequado, pois atualmente se conta com 3.6% de aumento anual para professores no ensino básico, mas 6% no ensino particular. Mas se eu somasse 4 reais a cada ano, estaria perto dos 75 reais a hora aula que cobro. Mas isso em uma empresa onde o salário base é 17 reais a hora aula. E com dedicação exclusiva.
Como o meu portfólio ostra, a minha dedicação não é exclusiva. Sou uma pessoa de muitos projetos. Mas o fato é que, se trabalhasse por 120 horas mensais, como costumava, sem bater ponto, contando somente aulas ministradas, e tivesse os 75 reais aos quais teria direito, meu salário seria de 9 mil reais, ou 108 mil ao ano. Teria que declarar. Mas viveria bem.
Agora veja a lógica da coisa: as empresas não querem pagar 75 reais hora aula, elas querem pagar 13. Mas a sua capacitação é de nível internacional competitivo. Você tem certificados, publicações, todo um histórico de produção e de networking. No máximo, hoje, você negocia com alguém cara de pau e ganha 250 reais por mês, quando acham que pagar 25 reais a hora é um luxo, e não conseguem clientes pois, digamos a verdade, as ferramentas de marketing de massa mudaram o jogo. Quem faz dinheiro não é quem faz conteúdo; é quem pagou pela máquina. E assim, rankeou melhor no algoritmo, recebendo propostas o tempo todo de clientes interessados.
Num cenário desses, é escandaloso se falar em inflação, quando a prioridade do governo americano é reduzir os custos da produção de chips, para agradar aos tecnologistas e futuristas. Todos querem um equipamento top de linha, para ficar jogando video games. Chega a ser uma piada, mas é uma realidade revoltante para o professor ou professora que luta todos os dias para que as próximas gerações consigam sobreviver ao ambiente corporativo, e saibam lutar pelos seus direitos. Se nós não fizermos a nossa parte, não é dever deles brigar por nós. Algo de muito errado aconteceu nessa mega transição tecnológica propulsionada pelo advento das mídias sociais, e empresas trilionárias como a Microsoft não podem fingir que está tudo bem, quando dispõem de todos os dados das nossas vidas, junto com a Google e a Meta, entre outras.
Quando alguém comentar sobre a inflação, argumente que os preços sobem quando há interesse em lucro e pouca demanda. Se a oferta é larga, vai haver competição, e os produtos e serviços mais bem vistos vão ter um preço mais caro, mas hoje em dia tudo é pensado na relação custo-benefício. Não vale a pena comprar o mais caro simplesmente porque é o top de linha: às vezes, ou muitas vezes, um serviço ou produto mediano, quando não o mais acessível, é a melhor opção.
Friso que a Fluência Participativa não é uma escola. Temos um endereço, que facilita na visibilidade e impõe uma presença digital para a marca, mas são aulas online, direto de um quarto onde se dorme e se guardam roupas, documentos, instrumentos musicais, remédios, memórias, etc. Se alguém quiser comparar o preço do curso, sugiro que procure um curso de 6 meses em que se pague 300 reais por mês. Não podemos nos deixar enganar pelas jogadas de marketing de algumas empresas recém fundadas. A Wizard by Pearson, só na matrícula, cobra R$300. Mas sites internacionais (que exploram professores até dizer chega) como Cambly oferecem aulas, sem preparo nenhum, com a desculpa de serem aulas de conversação, por 150 reais ao mês. O mesmo se vê na Fluency Academy, onde a qualidade dos cursos é risível, se você não é um completo idiota.
Achar que os blogs que são colocados na Fluência Participativa têm menos valor que um vídeo tosco com citações aleatórias de músicas ruins e séries piegas, com pessoas afetadas fazendo vídeo como se estivissem num programa da Xuxa, é ser muito desonesto. Mas eles têm meio milhão de visualizações em um mês, por “manjarem de conteúdo”; e eu tenho no máximo 10 impressões. Fica o convite: você quer conhecer o material da Fluência Participativa? Temos vídeo-aulas e um livro de estudos, além de aulas ao vivo (faça o contato).
E antes de reclamar da inflação, saiba negociar um salário e formatar o seu negócio. Chega de loroteiros e pessoas de má-fé invadindo o subconsciente das pessoas. Precisamos de ensino de qualidade, pautado em pesquisa, não em playlists da MTV. A propósito, aqui quem fala é um músico profissional.
Um abraço, e espero que fique mais claro a forma que o brasileiro é enganado todos os dias com o marketing digital. Para conhecer mais da proposta, navegue até a seção “learning“.