Uma questão de prioridades

Ando assistindo aos debates oficiais e em mídias sociais à Prefeitura de São Paulo, e me parece que algo deu muito errado com essa ideia de eleger o bom palestrante. Sem medo de contradições, sugiro a todos que pensem no caso de Sílvio Santos. Se são os seus feitos que importam, convém dizer que esta que foi uma das figuras públicas mais proeminentes do país já protagonizou muitas situações embaraçosas. Ninguém o acusou de nada, até onde tenho conhecimento; mas surgiram na internet uma série de vídeos onde o apresentador flertava com pessoas como Tatá Werneck, e não vamos esquecer da carreira da Maísa, concluindo-se que era constrangedor por estandarte estar na presença daquela pessoa. Mas também surgiram os que o idolatravam, e coletaram materiais de vídeos inspiracionais, como um que achei particularmente interessante, onde ele fala que a sua consciência guia a sua razão, e por sua vez, a sua razão guia o seu coração. E mesmo assim, o resultado eram os programas que muitos de nós crescemos vendo, e naturalizando.

Também ando visitando bastante o LinkedIn, e é frequente lidar com pessoas arrogantes. Muitas delas reclamam sobre as condições de trabalho e têm razão, mas você não as conhece. Fica uma sugestão para que todos supervisionem todos os chefes, e aí, quando alguém postar a diferença de um chefe e de um líder, você provavelmente vai achar piegas e pensar “tinha que ser”. Opa, talvez haja um pensamento enviesado do que cada um escolhe fazer nas mídias sociais. Eu, por exemplo, invejo muito as pessoas que trazem positividade a toda hora, mas não reclamo da felicidade aparente delas; ao contrário, mostro meu prazer e satisfação em vê-las bem — mesmo quando acho patético que se ignorem assuntos sérios para posar aproveitando a satisfação e o contentamento, ao invés de incutir um simples posicionamento.

São várias as estratégias de mídias sociais, para marcas, para empresas de grande porte, para projetos sociais, para figuras púlicas, para o varejo e os pequenos negócios urbanos, que podem, ao mesmo tempo, negar ter uma presença constante. Mas veja que a presença constante não é móvel, em muitos casos. Quando se vive postando fotos de restaurantes e praias, pessoas estão se deslocando e fazendo uso de dados para exibirem detalhes de suas vidas, com mais ou menos contexto. Quando se abarcam diversos assuntos, diariamente, do “conforto” de nossos lares, a situação já é diferente. Não por haver conforto, o que deixo implícito ser questionável; mas sim por não se haver alternativa. E se eu quero viajar, vai ficar apenas o desejo expresso, enquanto quem viaja vai postar as fotos e todos vão curtir.

Para quem avalia mídias sociais, vale a pena pensar no que é que o usuário deseja. Isso passa por detalhar, num mapeamento, quais são suas crenças e valores visíveis. Isso envolve política e comunicações, mas os temas são complexos e precisam de fatores decisórios democráticos e transparentes. Se viajarem, tudo bem: não tenho tanta vontade de conhecer Miami como tinha de conhecer Jacksonville, em outros tempos. Mas qual é o contexto? Ao notar que há desigualdades no mundo do trabalho, que permite fazer planos tais quais esse, que tem muitas etapas, precisamos ter voz, de verdade.

O projeto Fluência Participativa foi explorado, até hoje, por 4 clientes. Não é sobre dinheiro, é sobre oportunidade. Já se propôs tudo o que deveria ser feito. Podem copiar e melhorar, sem ao menos darem o crédito. Podem criticar. Mas está acessível a todos, de graça, a não ser as aulas ao vivo. Seria a mesma coisa de se conversar com Sílvio Santos? Acredito que não. Estudar com o nosso material é uma questão de prioridades. Apontar os erros do criador, também.

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