police approaching a supposed law-breaking citizen

Marielle Franco foi morta por se opor ao militarismo e à força policial. O que aprendemos?

Os líderes da Extrema Direita não perderam tempo: a notícia tinha acabado de sair, e já associavam a deputada ao crime organizado. No entanto, o controle do fluxo de armamentos para o território brasileiro, que deveria ser uma questão supervisionada pelas Forças Armadas, parece ter graves falhas — e além de termos vivido um período sombrio onde o presidente condenado Jair Bolsonaro defendia o porte de arma, com cenas lamentáveis como a perseguição de um cidadão pela deputada Carla Zambelli, ou mesmo a nefasta cena repetida, inclusive com criancinhas, de “fazer arminha” como se fosse um slogan apropriado, hoje o mundo discute coisas que parecem preocupar até mesmo os mais desvairados “homens de bem” do planeta.

Qual o papel da organização ICE (Immigration and Customs Enforcement), e seria possível que a bilionária Amazon tenha tamanha influência para determinar que sejam vigiados cidadãos de outros países que compram livros escritos em inglês que não agradam aos interesses do Partido Republicano, abertamente armamentista, racista, homofóbico, e cujos detalhes de financiamento são raramente discutidos, apesar dos esforços de Bernie Sanders em esclarecer a questão da decisão Citizens United — como informa o Roosevelt Institute? Percebe-se que mesmo os veículos focados em finanças, como a Bloomberg, já se posicionaram a respeito da brutal violência (não antes que ela atingisse americanos, note-se) que esses agentes mascarados vêm propagando, e fica a pergunta: o que é a violência, e quais são as explicações para tanto uma sociedade violenta e um indivíduo violento?

Eu me pergunto o que diria Jurgen Habermas sobre as considerações da UNESCO, dado que ele escreveu sobre “a ideia de paz perpétua de Kant” no livro “A Inclusão do Outro”, disponível na Estante Virtual. No caso do Brasil, há de fato dados preocupantes sobre desigualdade social, tipicamente associada aos casos de criminalidade e sua incidência, mas que não convencem aqueles que acreditam na moral e nos bons costumes como normas padrão para a eternidade. No entanto, qual a relação de dependência que temos em relação à mídia americana, e mais especificamente (e de modo diverso), à vida comum americana? Cabe pensar sobre isso, e sobre o fato de que veículos tradicionais como a BBC tentam elucidar a questão com o famoso “dois-ladismo”, o que fica claro em vídeos recentes.

Não interessa tanto discutir o caráter de diferentes nações, ou a mídia que domina a narrativa. Mas convém pensar a respeito, por conta própria. Não se deve, na minha opinião, desejar o mal aos estadunidenses por representarem o que se chama de imperialismo — e isso toma conta de boa parte da massa popular latino-americana; talvez nem tanto os donos de empresas, e que conste, há políticos de direita e com tendências autoritárias para todos os lados (vale a pena olhar o relatório da Freedom House). Mas como já foi relatado diversas vezes neste blog, a própria comunicação está tomando um aspecto de supervisão ilimitada e ameaça às liberdades individuais, o que contradiz a lei na maioria dos países do mundo. É justo tratar pessoas de forma diferente conforme determinadas características arbitrariamente classificadas? Se não, cabe pensar como responsabilizar todos os envolvidos, de maneira exemplar.

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