Aristóteles

O que interessa no Brasil não interessa à maioria dos brasileiros. O globalismo é viável?

Pensei um pouco a respeito de algumas coisas muito mais complexas do que a última postagem, sobre coisas que qualquer pessoa deveria saber, e outras que são particulares, mas resolvi tornar públicas. Veja que não é, nem nunca vai ser, o contrário. Se eu tenho um site, já existem múltiplos fatores em jogo, principalmente se tratando da infraestrutura do Brasil como um todo. Se eu sou um educador, isso não facilita em nada, pois grande parte dos criadores de conteúdo fazem slop travestido de finalidade educacional — e eu, não. Mas se você coloca a língua inglesa na maioria das vezes que comunica algo, e tenta de todas as maneiras enfatizar que o Brasil deve se colocar no panorama mundial, algumas pessoas (de um lado, de outro, por cima, por baixo, de quatro, fazendo twerk, dançando o créu) vão falar que isso é falta de caráter.

Curioso, né, jovem? Quando um professor passa a vida inteira tentando fazer com que você tenha condições de ter uma vida melhor, isso é problemático porque o professor não tem o direito de tornar públicos os seus conflitos evidentes (e outros que nunca ninguém dá atenção, mas o professor vai, escuta, debate, aconselha, produz material a respeito, participa de todo o tipo de diálogo em várias partes da web, se coloca aberto, faz recorrentes sugestões de tópicos, mas não interessa). Quando o professor quer, por motivação pessoal, se colocar como um adulto com intenções de treinar outros adulltos, de contextos diferentes, para se darem bem, não nessas putarias de internet que vocês ficam até hoje lamentavelmente divididinhos a respeito, mas no trabalho, sobre coisas que são tratadas como prioridadess estatais, globais, por instituições do mais alto calibre, aí não. Peraí, esse cara é um punheteiro (meu pai me falou). Esse cara é um pervertido (o Silas Malafaia gritou na Paulista). Sabe, no meu tempo, a gente falava que isso é falta de semancol, mas eu suspeito que é muito mais grave.

Vamos falar sério? Ninguém aqui fala inglês. E se você por acaso está lendo e quiser me processar porque eu estaria disseminando fake news (não faz isso comigo, eu não posso dar risada, tenho sérias cãibras intestinais), discorra sobre verificação de idade e tempo de tela, e aproveite para usar o celular da sua avó para ensinar outros jovens doutrinadinhos nas ocupações da família tradicional, a como tirar o pó. Poste o vídeo, enquanto fala sobre como se identifica com a sociopatia de Olivia Rodrigo, que evita o contato físico como questão de vida ou morte, e espere uma chuva de likes.

Na boa, jovem, procura aí giacb no Pornhub e seja feliz. Não quer chuva? Chuva pode vir à vontade. Eu sei que vocês não leram Modernidade Líquida, mas seguem a Greta. Sendo que ela é sueca e não fala uma palavra sobre o Spotify. E certos músicos são ignorados. Mas vou dar dois conselhos: 1) se não chover like, tente outra vez; 2) se chover stalker, denuncie. Porque essa coisa de que “tudo na internet é público” é um pânico moral. Isso foi uma narrativa provinda das emissoras de TV, que primavam pela imagem ao mesmo tempo autoritária e empática (convém procurar o que é Síndrome de Estocolmo), e já haviam articulado acordos de publicidade, na época em que isso se fazia em agências, com jornais e revistas, listas telefônicas, rádio, coisa que vocês nunca encostaram o dedo, para que, no fim, a galera toda (inclusive os pais de vocês) não priorizasse a internet, e continuasse asistindo TV.

Vocês querem mesmo discutir isso?

Qualquer pesquisa rápida sobre finanças vai revelar quem manda no mundo. Qualquer consulta às declarações públicas dessas pessoas vai mostrar que elas são bastante erráticas.

Antes que o jovem pense o que é política (não precisa de um Doutorado em Pragmática, Lógica ou Retórica, é só saber que antes de Cristo já tinha muita coisa escrita, mal aí se a sua mamãe disse que o livro mais antigo do mundo é a Bíblia, e sinto muito se, sabendo disso, você quis ler, não leu, e ainda achou que a interpretação da sua mamãe sobre o sermão baseado no texto que nem é do Antigo Testamento, e sim do Novo, dado pelo padre que você nem escutou direito, mas a sua mamãe deve ter razão, é a interpretação correta — como se houvesse uma única, e sem nem precisar mencionar Bakhtin), saiba que existe muito dinheiro envolvido tanto nas campanhas quanto na arquitetura dos sistemas do mundo, e que, na conjuntura que avança cada vez mais do mundo de hoje, fica incoerente (essa palavra quer dizer que “não faz sentido”, ou “não bate”) apoiar um projeto de dominação militar e se esquecer do que é “dominação”, para poupar as pobres criancinhas.

Vocês são muito mais espertos do que isso. O jovem já me tratou como lixo humano, por décadas, simplesmente porque eu quis fazer um elogio e alguém ficou com ciúme porque a minazinha deu atenção e começou toda uma campanha absolutamente desproporcional de ódio do mais venenoso que vocês possam imaginar. Não faz tanto tempo. Algumas coisas aconteceram dias atrás, se é pra falar a real. Mas que diferença que faz, pra quem?

Eu não suporto mais o que nenhuma corporação quer fazer.

Se vocês não entenderam o que eu tô fazendo na internet, e nunca vão parar pra pensar que, num contexto em que o apresentador de TV mais inteligente do mundo pra algumas pessoas, ou o artista mais influente, ou mesmo a empresa de maior prestígio (como Stephen Colbert, Bad Bunny ou a Anthropic) se recusam a aderir ao projetinho do fascistazinho loirinho, mas na verdade vocês se identificam com ele porque ele fala um inglês tão quinta série que vocês acham um presente que só pode ser de Deus uma figura de tanto poder falar a sua língua, tipo assim colega, joga o celular na privada e me agradece depois, beleza?

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